Gotinhas no oceano

pessoando entre milhões de seres humanos

A felicidade ao descobrir que eu não precisava me decidir

No primeiro ano do ensino médio eu e duas amigas viciamos numa banda ~emo~ chamada Tokio Hotel. Ela tinha quatro integrantes, dos quais dois eram mais bonitos e atraentes que os outros. Logo uma amiga escolheu um deles, Bill Kaulitz, para desenvolver sua paixonite, e a outra escolheu o Tom Kaulitz. E eu, que não tive pressa em escolher ninguém, acabei ficando com o baterista, que era meio sem sal, mas de quem consegui extrair um nível de fofura suficiente para fingir que realmente gostava dele, para assim seguirmos felizes como trio de fãs, cada uma com seu ídolo.

Situações assim foram recorrentes na minha vida: uma amiguinha escolhia a Power Ranger rosa, a outra seria a amarela, e eu, que no no fundo não ligava para a escolha, mas ligava para minha inserção no grupo, ficava como branca, ou café-com-leite. Team Jacob ou Team Edward? Parecia tão estúpido pra mi que a gente tinha que escolher um lado para pertencer, se dividir, e então defender seu lado contra o do outro. Me sentia a menina em cima do muro, sem identidades fortes. Por que eu tenho que gostar mais de gato ou de cachorro? Não posso amar os dois?

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Time de futebol, música favorita, casa em Hogwarts, homens ou mulheres, jornalismo impresso, rádio ou televisão, John, Paul, George ou Ringo. Que mania que a gente tem de monogamia de gostos! Cheguei até a me sentir culpada por não levantar bandeiras inúteis com fervor; por ser uma pessoa morna. Até que percebi: eu não sou uma pessoa morna. Pessoas não precisam SER uma coisa só, constante. Posso ser fluída, posso mudar de ideia e, acima de tudo, não preciso escolher. Aaaaahhhhh…! Como a vida ficou maravilhosa. Foi libertador poder flertar com ideias comunistas e capitalistas, ouvir pagode e Beethoven, assistir filmes do Hitchcock e do Ru Paul’s Drag Race. Dançar pelas caixinhas dos esteriótipos e fanatismos livre de obrigações com qualquer parte. Ser flexível me permite sair da bolha em que muitas pessoas se fecham. Eu acabo me definindo mais pelo que realmente gosto no momento do que por um padrão, e fico imune a sentimentos de rivalidade. Porém, não condeno quem gosta de fazer parte de um grupo bem definido. Sabem como é, cada macaco no seu galho (e eu me balançando).

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Publicado às abril 8, 2015 por em DaMarina e marcado , , , , , .
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