Gotinhas no oceano

pessoando entre milhões de seres humanos

Representação importa TANTO!

Finalmente assisti Boyhood. Quase não consigo escrever esse post de tão emocionada que estou, porque acabo de assistir uma representação do que foi minha vida. Representação de verdade, o retrato mais profundo, sensível e verídico de uma família de mãe solteira. A cada fase da vida dos personagens eu me lembrava de uma semelhante na minha. (Mãe, você é maravilhosa!)

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Sempre tive como princípio que representação importa. Sim, devemos ter mais protagonistas negros, mulheres, deficientes, não-americanos. Devemos retratar mulheres multidimensionais, gordos que não estão ali apenas para propósitos de comédia, loiras inteligentes, gays masculinos. Temos que fugir dos esteriótipos e, pior ainda, dos clichês. Torço tanto para uma mídia diversificada que, quando surgem séries como Orange Is The New, que inclui mulheres trans, velhas, drogadas, com doença mental, lésbicas, criminosas, eu piro. Que delícia descer tão baixo! Ser tão visceral no seu compromisso com a realidade, permitir o lado feio e falho que compõe a vida. Assistimos os homens passarem por suas jornadas de herói, irem até o fundo do poço e voltar, e agora é a nossa vez.

Pulo de alegria com produções como Modern Family, que finalmente registra configurações de família não tradicionais – dois homens e uma criança asiática adotada; dois separados com filhos, ele mais velho, ela mais linda, ele mais rico, ela imigrante. E Boyhood. Ahh… Indescritível a sensação de assistir uma história com a qual você pode se relacionar. Parece que valida sua experiência, te humaniza e conecta com os outros. “Eu não estou sozinha!”. E os outros te vêem sem o perigo da história única, que leva ao preconceito e à intolerância. “Eles são gente como a gente!”.

Representação assim, minha gente, é para poucos. Bom, não tão poucos, considerando as milhões de pessoas nascidas na década de 90, filhas de pais jovens e divorciados, morando com a mãe. Sim, são muitas pessoas, mas ainda são minoria perto da quantidade de histórias contadas sobre o outro lado, “ideal”, tradicional. Papai, mamãe, quintal e labrador. Lembro que quando mudei de cidade e me senti muito sozinha, comecei a ler os quadrinhos da revista Witch e me conectei com a Will, bruxinha que passava pelas mesmas dificuldades. Fui aprendendo e crescendo com ela, e hoje sei que a fantasia pode ser um ótimo recurso de ajuda.

Estou me sentindo extremamente sortuda por ter nascido no momento perfeito para apreciar esse filme em primeira mão. Assim como me sinto privilegiada por poder ter crescido com o Harry, sido fã até a última gota, assistido os filmes no cinema com milhares de outros fãs, todos e todas na mesma pulsação. Ter acesso a cultura é incrível. E quando você encontra dentro dela pedaços de si mesma, se torna agente ativo nessa cultura, lida melhor com a vida. Como prega a Chimamanda, histórias importam, e histórias diferentes são essenciais.

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Publicado às abril 10, 2015 por em DaMarina, Feminismo, Filmes e marcado , , , , .
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