Gotinhas no oceano

pessoando entre milhões de seres humanos

Para entender a bissexualidade

Recentemente o Canal da Bee fez um vídeo sobre coisas que os bissexuais estão cansados de ouvir, como “é só uma fase” ou “escolha um lado”. Perguntas absurdas também aparecem com frequência na vida de uma pessoa bi: Você consegue ter um relacionamento com uma pessoa só? Mas você gosta mais de homem ou de mulher? Não sente falta de [insira órgão sexual aqui]? Pera, uma hora você é hetero e outra você é gay, como assim? Topa um ménage?

Então, galera que tá tendo dificuldade em entender o conceito de bissexualidade, vem comigo que eu explico, bem didático, quase desenhando.

Olha esse sofá-cama. Ele tem a incrível capacidade de ser, num objeto só, um sofá, e uma cama. Mas ele para de ser, em algum desses momentos, um sofá-cama? Ele é um sofá menos efetivo, infeliz consigo mesmo, por ter a habilidade de virar uma cama? E se ele ficar na posição de cama pro resto de sua existência, vai acabar virando uma cama? Não, né? Então, com bissexuais é a mesma coisa. Uma garota bi num relacionamento com um homem não deixa de ser bi, nem vira lésbica quando está com uma mulher.

A orientação sexual não diz respeito a quem você está no momento, senão ela só existira para pessoas em relacionamentos, deixando os solteiros de fora. Ela é uma indicação do seu potencial de atração. Um bissexual pode tanto se apaixonar por um gênero quanto pelo outro, e, uma vez que se apaixona, continua tendo esse potencial, só que escolhe não agir sobre ele. Assim como gente casada também sente uma coisinha por pessoas que não são seus cônjuges, por mais feliz e contentes que estejam dentro do matrimônio.

Mesma coisa para os lobisomens. Com a diferença que um(a) bissexual não fica incontrolavelmente atraído pelo mesmo sexo quando a lua tá cheia (na tpm talvez). Mas carrega aquilo sempre dentro de si, e acaba não pertencendo a nenhum dos lados por inteiro, sem conseguir viver numa alcateia nem sendo aceito na sociedade dos humanos. Parece familiar? Pois é, acontece muito de um bissexual só ser acolhido pela comunidade LGBT quando está num relacionamento homoafetivo. Uns argumentam que, ao ver de fora, a pessoa bi pode se passar por hetero e por isso está livre de preconceito heteronormativo. Isso seria uma vantagem se o preconceito ficasse restrito ao espaço público, e se o bissexual só se relacionasse com pessoas do sexo oposto.

Como sabemos, os problemas de aceitação acontecem principalmente no nível pessoal e familiar. E a pessoa tem tantas chances de se apaixonar por alguém do mesmo sexo quanto por alguém do oposto. Portanto, assim como um gay, uma lésbica ou uma pessoa trans*, o bissexual tem aqui duas opções: se assumir ou se esconder. Insistir que sua orientação existe (e é válida!) ou ficar invisível para o movimento. Nesse dia de Parada do Orgulho LGBT, vamos lembrar que as duas últimas letras da sigla também são marginalizadas, também não têm escolha e também deveriam ser aceitas e celebradas por serem quem são.

Beleza, tudo certo? Podemos nos dar as mãos e transcendermos para o mundo espiritual agora? Ok. Beijo, tchau! 😉

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2 comentários em “Para entender a bissexualidade

  1. Franciellen
    agosto 5, 2015

    MELHOR. EXPLICAÇÃO. DA. VIDA.

    E por mais que eu dificilmente vá passar por essas situações, apenas não entendo pessoas que não querem (pq só pode ser isso) entender. As coisas são simples de entender quando se está aberto a isso.

    Curtir

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Publicado às junho 7, 2015 por em DaMarina e marcado , , .

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